Obra-prima do turco Nâzim Hikmet ganha primeira tradução no Brasil
Em ‘Paisagens humanas do meu país’, escritor cria painel poético da sociedade turca
Fruto de uma elaboração que durou mais de duas décadas, a obra-prima Paisagens humanas do meu país (Editora 34, 576 pp., R$ 76), do poeta turco Nâzim Hikmet (1902-1963), é claramente a consecução de um projeto: a produção de uma nova forma de visibilidade poética, diga-se assim, da variedade humana que compunha a Turquia. Não por acaso, estamos diante de uma personalidade cosmopolita, que se embebeu tanto da cultura oriental islâmica como da ocidental, leitor voraz e afinado com o melhor dessa produção. Vocação precoce, Nâzim Hikmet era filho de uma elite ciosa da modernização e da consequente ocidentalização (os dois termos, para os turcos de então, e mesmo para muitos de hoje, são sinônimos) promovida por Mustafa Kemal Atatürk, “o pai dos turcos”. O poeta parece ter acalentado desde sempre o desejo de modernizar a literatura de seu país, fazendo-a falar do seu povo e simultaneamente convertendo-a num instrumento de descoberta e interpretação de sua realidade, procedimento que alguns classificam como realismo, outros como realismo socialista, mas que, de qualquer modo, não recua jamais ante o eventual prosaísmo do cotidiano.
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