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Obra-prima do turco Nâzim Hikmet ganha primeira tradução no Brasil

11 de janeiro de 2016
1 min de leitura

Em ‘Paisagens humanas do meu país’, escritor cria painel poético da sociedade turca

Fruto de uma elaboração que durou mais de duas décadas, a obra-prima Paisagens humanas do meu país (Editora 34, 576 pp., R$ 76), do poeta turco Nâzim Hikmet (1902-1963), é claramente a consecução de um projeto: a produção de uma nova forma de visibilidade poética, diga-se assim, da variedade humana que compunha a Turquia. Não por acaso, estamos diante de uma personalidade cosmopolita, que se embebeu tanto da cultura oriental islâmica como da ocidental, leitor voraz e afinado com o melhor dessa produção. Vocação precoce, Nâzim Hikmet era filho de uma elite ciosa da modernização e da consequente ocidentalização (os dois termos, para os turcos de então, e mesmo para muitos de hoje, são sinônimos) promovida por Mustafa Kemal Atatürk, “o pai dos turcos”. O poeta parece ter acalentado desde sempre o desejo de modernizar a literatura de seu país, fazendo-a falar do seu povo e simultaneamente convertendo-a num instrumento de descoberta e interpretação de sua realidade, procedimento que alguns classificam como realismo, outros como realismo socialista, mas que, de qualquer modo, não recua jamais ante o eventual prosaísmo do cotidiano.

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