Livro conta história dos primeiros ‘kariokas’
Em 'O Rio antes do Rio', jornalista detalha o cotidiano das tribos ancestrais que habitaram a cidade
O samba Sapopemba e Maxambomba, de Nei Lopes e Wilson Moreira (mais conhecido na gravação de Zeca Pagodinho, de 1998), é uma das poucas referências populares ao Rio de Janeiro original, aquele pré-colonial, habitado por guerreiros tupinambás, que hoje pouco resiste nos nomes de alguns bairros. “Tairetá hoje é Paracambi/ e a vizinha Japeri/ um dia já se chamou Belém (final do trem). / E Magé, com a serra lá em riba/ guia de Pacobaíba/ um dia já foi também (tempo do vintém). / Deodoro já foi Sapopemba/ E Nova Iguaçu, Maxambomba”. Foi para saber um pouco mais de Tairetá, Sapopemba e Maxambomba que o jornalista Rafael Freitas da Silva reuniu relatos de viajantes estrangeiros, crônicas de jesuítas e diários de colonizadores e escreveu O Rio antes do Rio (Babilonia Editorial, 432 pp, R$ 59,90), que chega às livrarias. A obra, que tem pesquisa de fôlego acadêmico e texto em tom de crônica, detalha o cotidiano das tribos que habitavam a Guanabara antes da colonização. ‘Nós ignoramos completamente toda a história que havia antes”, dispara como uma flecha o autor, ao comentar a atenção exclusiva que se dá ao Rio de Janeiro pós-fundação, em 1565. “Foi justamente pensando nesta efeméride de 450 anos da cidade que resolvi matar essa curiosidade, há uns três anos, quando comecei a pesquisa. Sempre quis entender como era o Rio antes desse Rio que conhecemos, e depois de fazer o livro, percebi que um Rio de Janeiro teve que acabar para que outro pudesse existir”.
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