Exclusão social na era do fundamentalismo é tema de novo romance
Gonçalo M. Tavares conta drama de jovem com síndrome de Down
Uma trágica coincidência marca o lançamento, no Brasil, do romance Uma menina perdida no seu século à procura do pai (Companhia das Letras, 240 pp., R$ 39,90), do escritor português Gonçalo M. Tavares, cuja protagonista, Hanna, é portadora da trissomia 21, ou síndrome de Down. A notícia recente de que os extremistas do Estado Islâmico mataram só este ano 38 crianças portadoras da síndrome ou com outras deficiências físicas ou mentais é uma prova de que as preocupações de Tavares sobre a retomada de práticas cruéis contra os diferentes, que parecia confinada ao passado nazista, são pertinentes. A diferença fundamental é que, no livro, a protagonista é encontrada não por um fanático do Estado Islâmico, mas por um fugitivo sem passado – e com poucas chances de futuro. Marius topa com a figura de Hanna portando uma cartolina com instruções para si mesma numa esquina de uma cidade europeia. É uma espécie de Kaspar Hauser em versão feminina, um ser de quem foi sequestrado o passado.
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