Leitura crítica
Jornalista d´O Estado de S. Paulo analisa o fechamento da Cosac Naify
Há 20 anos ela não existia. Cinco anos atrás, já era a segunda editora mais admirada do País, superada apenas pela Companhia das Letras, na avaliação de uma enquete realizada pelo jornal Valor. Daqui a quatro semanas a Cosac Naify fechará suas portas. O ocaso da Cosac Naify foi o mais recente desastre deste ano especialmente aziago para nossa cultura. Projetos com a ousada excelência da Cosac Naify apostam num Brasil em tudo o oposto do que aí está, em adiantado estado de putrefação moral e espiritual. Falindo ou não, seu fechamento há muito parecia iminente. Não bastasse, em nossa “pátria educadora” pouca gente adquiriu o hábito de ler e comprar livros. Criamos editoras, podemos até editar livros a mancheia, mas não criamos leitores. Com 14 milhões de analfabetos, o Brasil é o oitavo no ranking mundial da ignorância. A mais recente pesquisa da CBL registra uma média de 4,7 livros por ano, contando os de leitura obrigatória. Os de leitura espontânea não passam de 1,3. Só fazemos piorar. Cinco anos atrás, a média nacional era de 1,9 livro por ano. Já perdíamos, na América Latina, para Colômbia (2,5), Chile (3) e Argentina (5).
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