A literatura como resistência no romance de Julián Fuks
Novo livro do escritor é um retorno à história da Argentina dos anos 1970
“A obsessão pela origem o que traz consigo?”. A pergunta que abre o livro O Brasil não é longe daqui (Companhia das Letras), de Flora Sussekind, sobre os narradores-viajantes da literatura brasileira do século XIX, veio-me à cabeça durante a leitura do comovente livro de Julián Fuks A resistência (Companhia das Letras, 144 pp, R$ 34,90). Naqueles narradores, a obsessão pela origem trazia a obliteração dos recortes, das fugas, das lacunas, na recriação de uma imagem de Brasil. A resistência ali estava ligada à necessidade de afirmação de uma identidade nacional, transformada em utopia unificadora. Há uma obsessão pela origem em A resistência, mas de ordem completamente diversa. O livro é um retorno à história da ditadura na Argentina dos anos 1970, narrada pelo filho caçula de um casal de psicanalistas que adotaram um menino quando moravam naquele país. Envolvidos com a militância política, eles partem para o exílio em São Paulo, onde terão mais dois filhos. O livro é também um retorno à história dessa adoção, que faz reverberar no ambiente familiar a inquietude de uma época.
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