Contos e ensaios sobre tempos de barbárie
Grossman transporta fardo da História, nada desprezível, para os contos de 'A estrada'
O russo Vassili Grossman tornou-se mundialmente conhecido por Vida e destino (Alfaguara), romance histórico considerado o Guerra e Paz da Segunda Guerra. Em A estrada (Alfaguara, 336 pp., R$ 54,90), coletânea de contos, ensaios e papéis dispersos, somos apresentados a uma face menos conhecida da sua literatura. Em vez da grandeza épica e das longas descrições de batalhas, das incontáveis camadas narrativas e do excesso de personagens, temos aqui um autêntico miniaturista, continuador da poética das formas breves que notabilizou os compatriotas Tchekhov e Babel. Boa parte do interesse pela ficção de Grossman — os contos são maioria em A estrada — está na sua sensibilidade para figurar o “aqui e agora” histórico, a verdade profunda da existência em um regime totalitário. O enlaçamento entre indivíduo e História é um dos temas centrais da sua literatura.
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