Aos 80, Adélia Prado reflete sobre o mundo
Escritora reúne obra poética com a nova antologia ‘Poesia reunida’
No dia 9 de outubro de 1975, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica no “Jornal do Brasil” elogiando uma poeta de Divinópolis, professora, mãe de cinco filhos, cujos versos ainda inéditos acabavam de cair em suas mãos: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo”. Era Adélia Prado, que naquele mesmo ano conseguiu publicar o primeiro livro, Bagagem. Desde então já lançou outros 15, teve livros traduzidos para o inglês e o espanhol e inspirou um sem-número de teses acadêmicas, trabalhos que costumam tatear a aproximação feminina e religiosa de sua obra. Às vésperas de completar 80 anos, Adélia ganha nova antologia de sua obra poética na edição de luxo Poesia reunida (Record). Para celebrar a data do aniversário, em 13 de dezembro, O Globo propôs à poeta que algumas perguntas desta entrevista — na qual se mostra contrária ao movimento feminista que ganha força nas ruas nos últimos meses e, principalmente, contra o aborto — fossem inspiradas em seus próprios versos.
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