Romance ajusta épico de Milton às metáforas da modernidade laica
Beatriz Bracher fala da opressão do gênero, ampliando a dimensão sexual de um poema
Um poema épico que já começa recontando a
história do Gênesis com Satã em primeiro plano poderia ser apenas uma
stravaganza barroca e sacrílega, não estivesse Milton determinado a provar que
Lúcifer, o anjo caído, ao fazer sexo com a própria filha, Pecado, acabou
gerando um filho que violenta a mãe, apropriadamente nomeado Morte. Fazer um
aggiornamento de
O paraíso perdido
numa época em que a questão de gênero rompe a fronteira entre os sexos parece,
portanto, uma tarefa tão hercúlea como a dos anjos e demônios que carregam suas
gigantescas carcaças no poema de Milton. A premiada escritora Beatriz Bracher
resolveu encarar o desafio no romance
Anatomia
do paraíso
(Editora 34, 328 pp., R$ 48). E fez como seu protagonista, o
estudante de literatura Félix, que, ao preparar sua dissertação de mestrado
sobre a obra do autor inglês, acabou seduzido e incorporado ao livro – a
própria história da humanidade.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
