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O humanismo acolhedor da poesia de Ana Martins Marques

09 de novembro de 2015
1 min de leitura

Em 'O livro das semelhanças', poeta mineira explora jogo de reflexos entre a palavra e o mundo

O livro das
semelhanças
(Companhia das Letras, 112 pp., R$ 33) é a terceira coletânea de poemas
de Ana Martins Marques, depois dos premiados
A vida submarina e Da arte
das armadilhas
. A primeira impressão que temos abrindo um desses livros é
que assumem e aprofundam uma dicção familiar aos ouvidos brasileiros. A
exploração do registro informal da língua, os temas cotidianos, certa ideia de
despojamento retórico, a modéstia daquele que “não sabe” ser poeta, requisitam
do leitor uma cumplicidade quase caseira. A estratégia da simplicidade (que
encontra, hoje, inusitada convergência com o influxo de poéticas de tom naïf ou
de projetos “literalistas”), ao que tudo indica, vem ganhando novo fôlego na
poesia brasileira. Essa primeira impressão, entretanto, está longe de esgotar o
sentido do trabalho de Ana Martins Marques. Se o desnível entre artista e homem
comum não parece mais sustentável no atual ecossistema da diversidade cultural,
em
O livro das semelhanças a autora
não deixa de requisitar e desenvolver sua paixão pela escrita poética e pela
experiência da linguagem.

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