Lobo Antunes considera seu novo livro mais pessoal
Autor de 'Não é meia-noite quem quer' é um dos mais importantes da língua portuguesa
Do outro
lado da linha, a voz soa acabrunhada – um dos mais importantes autores da
língua portuguesa, António Lobo Antunes parece reforçar sua fama de não gostar
de dar entrevistas. “Sobre qual livro vamos mesmo conversar?”, questiona e,
depois de ouvir o título
Não é meia-noite
quem quer
(Alfaguara, 480 pp., R$ 59,90), a 28.ª obra de uma carreira
notável, é quase possível vê-lo dar de ombros, mesmo estando em Lisboa. “Não
tenho o que falar. Jamais releio meus livros e, ao final, são todos iguais para
mim.” O que poderia ser desanimador é, na verdade, um estímulo – aos 73 anos,
Lobo Antunes é uma celebridade em Portugal, reconhecido onde quer que vá. O
livro traz a história de uma mulher, cujo nome não é revelado. Professora,
separada, 52 anos, vítima do câncer de mama, ela decide, em um fim de semana,
despedir-se da casa em Peniche, onde cresceu ao lado dos irmãos. Ao chegar, é
tomada pelas memórias, relembrando desde impressões da infância como o suicídio
do irmão mais velho. A ação se passa em três dias, divididos em dez capítulos
em que Lobo Antunes se aproveita do irregular fluxo de memória da personagem
para exercitar seu estilo precioso. Lobo Antunes considera-o seu livro mais
autobiográfico.
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