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Donald Barthelme é lembrado com edição de ‘O pai morto’

03 de novembro de 2015
2 min de leitura

Livro do escritor norte-americano foi lançado há 40 anos

Donald
Barthelme (1931-1989) viveu pouco, mas intensamente. É provável que sua vida
tivesse o prazo de validade prorrogado se não fumasse e bebesse tanto, mas
Barthelme, que morreu de um câncer pulmonar, aos 58 anos, nasceu para contestar
o pai, um arquiteto bauhausiano que construiu a própria casa. O pai imaginou
para o filho um futuro acadêmico, mas teve de engolir suas collages literárias,
que marcam o advento da pós-modernidade na literatura norte-americana. Embora fosse
ligado à vanguarda da arquitetura em sua época, era um tanto conservador e teve
discussões violentas com o filho sobre a desconstrução literária do rebelde
Barthelme, que fugia da escola para ouvir Lionel Hampton nos clubes de jazz.
Com esse histórico não é de admirar que Barthelme, aos 44 anos, se vingasse ao
publicar
O pai morto (Rocco, 240 pp.,
R$ 34,50 – Trad.: Daniel Pellizzari), romance lançado nos EUA em 1975 e só
agora traduzido no Brasil. O leitor vai encontrar vários autores num só livro,
o que o cínico Barthelme justificou, numa entrevista, como um “approach
mercantil” da literatura alheia para descobrir o que outros escritores fazem de
melhor e, naturalmente, se apropriar desse tesouro.

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