Boaventura de Sousa Santos lança poemas de ‘otimismo trágico’
No Rio para lançamento e palestra, sociólogo enfrenta pessimismo com crise global
Tarefas
impossíveis aparecem já no título do novo livro de Boaventura de Sousa Santos,
139 epigramas para sentimentalizar pedras
(Confraria do Vento). Comover os minerais, porém, pode parecer até pouco diante
do desafio que o sociólogo português enfrenta em alguns poemas da obra:
refletir, em tempos de crise global, sobre novas formas de utopia. Talvez por
isso, o décimo livro de poesia de Boaventura, um dos criadores do Fórum Social
Mundial (com seu lema “Outro mundo é possível”), é descrito por ele mesmo como
“intimista” e “pessimista”. Usando a forma medieval do epigrama, com versos
curtos de moral surpreendente, ele define a Europa ora como um grande sistema
de vigilância ora como “uma cozinha absurda/ de ingredientes tóxicos”.
Boaventura conversou com o Globo por telefone a caminho do Rio, onde lança o
livro dia 5, às 18h30, no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Centro.
Antes disso, dia 3, às 19h, faz a conferência “O ato criador na arte, na
ciência e na política”, encerrando o ciclo Ato Criador, na Escola de Circo
Crescer e Viver, na Praça Onze.
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