Publicidade
Voltar CLIPPING

Riso e consciência em ‘O pai morto’ de Donald Barthelme

26 de outubro de 2015
1 min de leitura

Em romance, escritor maneja recursos de diferentes estilos sem se prender a nenhum

Outro dia, no consultório, estava lendo enquanto esperava
minha vez e comecei a rir. O que eu estava lendo (em boa tradução de Daniel
Pellizzari) era um trecho de O pai morto
(Rocco, 240 pp R$ 34,50), de Donald Barthelme, a parte intitulada Um manual para filhos. As peripécias que ocorrem aqui têm como mote
principal essa entidade gigantesca, algo divina, que dá título ao livro: os
outros personagens o carregam, em exéquias exuberantes, ao longo da narrativa.
Apesar de morto, o pai fala, interage, demanda, ensaia punições. Além disso, o
“manual”, vejam bem, é dirigido aos filhos. Como é característico do gênero, o
manual inclui lista de nomes para os pais, dicas de educação e conduta correta
— mas foi traduzido por um dos personagens da língua em que foi escrito para
ela mesma. O que é isso? Surrealismo, dadaísmo, non-sense, pós-modernismo?
Barthelme parece manejar recursos característicos desses rótulos, sem se
confinar a nenhum.

Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade