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Desejos mundanos

19 de outubro de 2015
1 min de leitura

Michael Cunningham cria personagens em busca da transcendência

Ao atravessar o Central Park em um frio dia de novembro, Barrett Meeks vê sua dor de cotovelo interrompida por uma visão: ao olhar para o céu, ele tem a nítida impressão de ser iluminado por uma luz pálida e translúcida. Embora não acredite em visões, Barrett sente-se tocado pelo fato e sua busca pela transcendência marca A rainha da neve (BertrandBrasil, 252 pp., R$35 – Trad.: Regina Lyra), romance de Michael Cunningham. Ele é um escritor sem medo – há mais de 15anos, ele fez do clássico Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, a base para um livro inteligente e cheio de detalhes e surpresas no cotidiano aparentemente isolado de três mulheres muito especiais, As horas. A obra, que o tornou internacionalmente conhecida, além de inspirar um delicado filme dirigido por Stephen Daldry em 2002, era fruto também de uma epifania sofrida por ele, quando, ainda jovem, descobriu a história de Woolf. Agora, Cunningham utiliza o mesmo estilo lúcido e elegante para descrever a transcendência de Barrett e outros três personagens.

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