Passado segue como cerne da escrita sofisticada de Modiano
Lacunas da infância são elementos de novo livro do vencedor do Nobel
A Fundação Nobel, ao conceder o prêmio de literatura de 2014 ao escritor francês Patrick Modiano, encontrou uma fórmula mágica para defini-lo. Chamou-o de “Marcel Proust de nosso tempo”. A definição, certamente baseada na importância da memória e da reminiscência para os dois autores, correu o mundo. Como nos demais livros do autor, o embate entre memória e esquecimento é o tema de Para você não se perder no bairro (Rocco, 144 pp, R$ 19,50 – Trad.: Bernardo Ajzenberg), recém-lançado no Brasil. No romance, o passado ressurge a duras penas e sempre lacunar, indecifrável, cercado de sombras. A memória, involuntária ou não, é um instrumento avariado, que já não presta direito à evocação, pois é atingida por trauma, ignorância e “amnésia voluntária”, como diz o protagonista da trama, Jean Daragne.
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