A vida depois da morte
Como a ressurreição de personagens populares cujos autores morreram se tornou um negócio - e uma mania cultural
Há personagens que escapam de seus autores e ganham vida. O fenômeno não tem nada de sobrenatural: são leitores entusiastas os primeiros responsáveis por manter vivas algumas figuras surgidas nos livros. Elas conquistam a simpatia do público pelos enredos que suscitam e suas características marcantes. Logo migram para o cinema, a TV e, mais recentemente, para a internet. Dessa forma, os heróis de ficção se tornam imortais e transmidiádicos. Paralelamente, os mais célebres passam a ser trabalhados como franquias literárias de alta lucratividade. Assim se deu com o agente secreto James Bond com a família Corleone e com o detetive Sherlock Holmes. O caso mais recente é mais rumoroso, complicado e envolve, além de disputa entre herdeiros, a ressurreição da hacker Lisbeth Salander e do repórter investigativo Mikael Blomkvist, heróis da saga Millennium, criação do jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004). Em agosto, saiu o quarto volume da série, A garota na teia de aranha (Companhia das Letras, 470 págs., tradução do sueco de Fernanda Sarmatz Akesson e Guilherme Braga). O volume foi lançado simultaneamente em 26 países. Foram produzidos 2,7 milhões de exemplares e logo o título pulou para os primeiros lugares nas listas de mais vendidos.
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