Publicidade
Voltar CLIPPING

Inspirado em Clarice, Zambra impõe clima singular a relatos

21 de setembro de 2015
1 min de leitura

'Meus Documentos', de Alejandro Zambra, é zênite de obra em ascensão

Desde a estreia com Bonsai (2006) o chileno Alejandro Zambra aguça suas qualidades de leitor. Nesse sentido, Meus documentos (Cosac Naify; 224 pp; R$ 32,90 – Trad. Miguel Del Castillo) é o ponto alto da obra em constante ascensão caracterizada por mirada introspectiva. Nos 11 relatos, certo clima singular se impõe, sugerido pela voz afetuosa e irônica que parece revelar situações demasiado pessoais: o orgulho melancólico do tabagista em Eu fumava muito bem, por exemplo, e a quase integralidade das crônicas das duas seções iniciais, embebidas na cronologia familiar imiscuída à história do Chile pós-Allende. Em coletânea anterior, No leer (2010), Zambra estabeleceu, extraída de frase de Clarice, a sua poética: “para fazer literatura é necessário não fazer literatura”. Com seus livros de leitor de Lispector, Zambra propõe curioso retorno da escritora ao público brasileiro, ecoando-a (“digo o que tenho que dizer, sem literatura”, esta é a frase dela), como se nos perguntasse: e agora, vocês que não amam os livros, que tanto fizeram para esquecer de Clarice Lispector, o que farão? É uma boa pergunta, considerando a atual repercussão da escritora no exterior.

Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade