Poeta sírio fala sobre crise dos refugiados na Europa
Radicado na França desde os anos 1980, Adonis diz que arte é melhor canal para diálogo
Assim como os milhares de refugiados que têm chegado à Europa nas últimas semanas, o poeta sírio Adonis, de 85 anos, buscava exílio quando desembarcou em Paris, na década de 1980. Hoje considerado o maior nome da poesia árabe moderna, sempre cotado para o Nobel de Literatura, ele precisou escapar do Líbano, onde vivia, por causa dos conflitos no país. Talvez por isso, diz o escritor, tenha sentido tanto o impacto da imagem do menino sírio Aylan Kurdi, de 3 anos, encontrado morto numa praia da Turquia semana passada depois de naufragar com a família e outros imigrantes. “Quando vi aquela foto, pensei na crucificação da infância e da inocência. Pensei também que ela é um símbolo da relação atual entre o Ocidente e o mundo árabe. A reação dos países ocidentais à crise dos refugiados, sobretudo daqueles com passado colonial, como Inglaterra, França, Itália e Bélgica, não está à altura dessa catástrofe. A postura deles guarda um fundo de imperialismo”, diz Adonis, por telefone, de sua casa em Paris, onde vive há três décadas.
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