Inédito foi escrito ao final de uma paixão
Poema encontrado rabiscado em livro de Sartre na Casa do Sol foi criado entre 74 e 75
Com alguma resistência, o quarto de Hilda Hilst perdeu suas prateleiras de madeira. Foram substituídas por um desproporcional arquivo deslizante de aço, que ocupa ao menos dois terços do cômodo, o necessário para abrigar longe de cupins a biblioteca de mais de 3 mil volumes deixados pela escritora, morta em 2004 aos 73 anos. No espaço restante do cômodo, sobre uma mesa, duas arquivistas dedicam-se a higienização dos livros, e neste trabalho de ourives encontram preciosidades registradas por Hilda nas bordas de suas leituras. O projeto de organização do acervo da poeta tem sido levado a cabo desde o começo do ano pelo instituto que leva seu nome. Coordenado pela artista Olga Bilenky, amiga da poeta e o filho de Olga, Daniel Fuentes, o projeto é financiado pelo Itaú Cultural via lei Rouanet, com orçamento de R$ 773 mil. Nem todas as anotações, porém, são de desgosto. Algumas dão pistas do processo criativo da escritora ou se revelam poemas originais, alguns inéditos, como é o caso dos garranchos, escritos entre 1974 e 1975, encontrados numa edição de Esboço de uma teoria das emoções, de Sartre. “Ela escreveu no final de uma paixão. Teve uma produção intensa nesta época”, conta Olga Bilenky.
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