Paula Hawkins mostra que autora sabe lidar com o suspense
Com 4 milhões de exemplares vendidos, trama saborosa captura os leitores
Resenhar um best-seller com todos os ingredientes comuns a produtos que existem para satisfazer aquilo que os marqueteiros chamam de público-alvo é, antes de qualquer coisa, um grande exercício de humildade e autocontrole. Às vezes de satisfação. Satisfação de desafiar a presunção de nossa superioridade. A garota no trem (Record, 378 pp., R$ 35 – Trad.: Simone Campos) – livro de Paula Hawkins que se destacou por 20 semanas no pódium dos mais vendidos do The New York Times – é exemplar. Hawkins nos oferece um thriller feijão com arroz cuja “mistura” é saborosíssima. À guisa de três narradoras nada confiáveis, os acontecimentos se sobrepõem em sequência, daí que as revelações e o suspense, e até as pistas falsas, se ajustam em seus respectivos escaninhos e incomodam (ou prendem) o leitor na medida certa.
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