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O imperativo moral de contar a verdade por mais terrível que seja

31 de agosto de 2015
1 min de leitura

Obra de Varlam Chalámov que começa a ser lançada agora no País traz 33 narrativas

Em um pequeno epílogo à edição espanhola dos Contos de Kolimá (Editora 34, 304 pp, R$ 49 – Trad.: Elena Vasilevich), o tradutor Ricardo San Vicente traça uma diferença importante entre as literaturas de Varlam Chalámov e Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Lembremos que o autor de Crime e castigo também amargou um período como prisioneiro na Sibéria, condenado sob a acusação de conspirar contra o czar Nicolau I, e que essa experiência nos foi contada em uma de suas obras-primas, Recordações da casa dos mortos. Em vida, Chalámov era mais conhecido como poeta. Não é difícil perceber em seus contos uma carga lírica acentuada, que, no entanto, não camufla a crueza extrema do que é narrado. A pesquisadora Irina P. Sirontiskaia (que conviveu com o escritor em seus derradeiros anos de vida e assina o prefácio do primeiro volume) cita o próprio Chalámov: “É necessário e possível escrever um conto que seja indistinguível de um documento. (…) A nova prosa contemporânea só pode ser criada por pessoas que conheçam perfeitamente o próprio material”.

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