Precisamos falar de preço (de livro)
Como a base consumidora não cresce, as livrarias fecham. Quantas outras terão de quebrar até que se considere um equilíbrio entre o valor de venda e custo da operação?
Nos últimos cinco anos, tudo no Brasil ficou mais caro. O preço do livro, não. Ao contrário: todos os custos aumentando, os insumos inflacionados e, no entanto, as editoras ainda baixando os preços. O editor também é um educador. Tem, pois, a obrigação de tornar pública a complexa cadeia produtiva que resulta no livro. Diversamente do que manifestam livros a R$ 20 ou mesmo menos, o nosso produto não é fruto de milagre materializado nas livrarias. Que se derrube o preço de um ou outro livro, isso é estratégia comercial legítima. Mas que a “baratização” seja política indiscriminada, independentemente do caráter da obra editada, isso significa investir contra o processo editorial que deságua em produtos cada vez melhores. O indivíduo que consome livros precisa ser informado — e preço informa — do conjunto valioso de ofícios que se consolida naquele produto. Precisamos também pensar no livreiro. A cada ano, afinal, sobem-lhe o aluguel, os salários, a conta de luz. Para que seu negócio sobreviva, não há mágica: ou o preço do livro é corrigido ou ele terá de aumentar o número de exemplares vendidos. Como a base consumidora não cresce, as livrarias fecham. Quantas outras terão de quebrar até que se considere um equilíbrio entre preço de venda e custo da operação? Preço fixo não é a solução. Preço é instrumento do livre mercado.
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