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Obra premiada de Richard Flanagan prende a atenção, mas carece de dramaticidade

24 de agosto de 2015
1 min de leitura

Romance, lançado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul (Globo), foi reconhecido pelo Man Booker Prize no ano passado

É impossível descolar O caminho estreito para os confins do Norte (Biblioteca Azul, 430 pp, R$ 44,90 – Trad.: Celso Mauro Paciornik e Augusto Pacheco Calil) da experiência que deu origem ao romance. Ao ver seu pai aproximando-se da morte, Richard Flanagan viu-se na obrigação de vencer mais de uma década de hesitação e finalmente escrever uma ficção baseada nas histórias que ouvia desde garoto. Flanagan pai havia sido um dos cerca de 300 mil prisioneiros de guerra do Japão que foram obrigados a trabalhar na construção da chamada “ferrovia da morte”, em 1943, entre a Tailândia e Mianmar. Foi um dos poucos a sobreviver. Como Flanagan reforça, houve mais mortos nesse terrível episódio do que no bombardeio a Hiroshima e do que a quantidade de palavras que escreveu em seu livro. Após longa pesquisa, que incluiu viagens ao Japão para entrevistar algozes do pai, Flanagan voltou com rico material, escreveu seu romance e viu o pai morrer no dia em que pôs, nele, o ponto final. Seu esforço foi reconhecido ao receber o Man Booker Prize no ano passado. Do ponto de vista literário, porém, “O Caminho Estreito…” deixa a desejar.

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