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Novo livro de Antonio Carlos Viana tem serenidade inesperada

24 de agosto de 2015
1 min de leitura

Contos são alinhavados por exercícios de desesperança

Exercícios de desesperança alinhavam os contos reunidos em Jeito de matar lagartas (Companhia das Letras, 152 pp, R$ 34,90). O escritor sergipano Antonio Carlos Viana elabora a imagem de um desencontro permanente –e isso num arco temporal que abarca desde a perda da inocência na infância ao divórcio crescente entre sexo e corpo na velhice. Roteiro da Solidão destaca-se nessa galeria de ilusões perdidas. Dona Ineide coloca seu casarão à venda apenas para driblar o isolamento, recebendo possíveis compradores. Na frase perfeita, incisiva pela ambiguidade: “Às vezes cantava só para sentir que ainda tinha voz”. Eis a força da prosa: ela cantava somente para escutar-se porque vivia sempre sozinha. Um dia, Dona Ineide recebe a visita de Luís Rabelo, um amor platônico de sua adolescência. Os dois principiam uma tímida relação, interrompida bruscamente: “As semanas se passaram e seu Rabelo sumiu de vez”. Para sempre, conclui o leitor. E por um motivo propriamente irremediável. Afinal, se os contos lidam com “a vida e seus descaminhos”, pelo menos uma via se mantém firme: a finitude.

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