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Livro de Edyr Augusto oferece narrativa assustadora com discurso enxuto

24 de agosto de 2015
1 min de leitura

‘Pissica’, lançado pela Boitempo, é um experimento de valor no panorama brasileiro atual

O esquisito nome do livro, Pssica (Boitempo, 96 pp, R$ 28), de Edyr Augusto, talvez mais afaste que aproxime; o começo da leitura impõe outro estranhamento, com suas frases simples, nunca com mais de dez palavras, empilhando fatos sobre fatos, sem dar notícia de qualquer subjetividade dos personagens. No entanto, trata-se de um experimento de valor no panorama brasileiro atual. No centro do enredo está Janalice, adolescente de Belém do Pará; o tempo é agora; o narrador, externo ao enredo, alia a vocação para a crueza com um grande conhecimento empírico do mundo paralelo em que habitam traficantes de drogas e de pessoas, bandidos de toda ordem e toda a gente miserável. Tudo começa por uma besteira: Janalice se deixou filmar em cena sexual com o namorado, e as imagens vão ao mundo. Sua vida na escola fica insuportável e seus pais a mandam passar uns tempos com parentes. Em lugar de paz, encontra estupro; para fugir frequenta a rua, e eis que o destino piora: é vendida como escrava sexual para sucessivos donos, até chegar à Guiana, vizinho que é uma abstração para o Brasil, mas destino de milhares de conterrâneos.

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