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Em ‘A queda do céu’, Davi Kopenawa e Bruce Albert apresentam o pensamento yanomami

24 de agosto de 2015
2 min de leitura

Parceria entre líder indígena e etnógrafo francês, obra impactou a antropologia com interlocução entre sistemas cosmopolíticos

A parceria entre Davi Kopenawa, um xamã versado no mundo dos brancos, e Bruce Albert, um etnógrafo com longa familiaridade com seus anfitriões, começou com um completo mal-entendido. O francês conheceu o futuro líder yanomami quando este ainda trabalhava como intérprete da Funai, em 1978. Ambos tinham 20 e poucos anos e uma ideia distorcida um do outro: Albert ouvira falar de Kopenawa como um índio aculturado a serviço dos militares, enquanto Kopenawa ouvira rumores de que Albert seria um perigoso estrangeiro infiltrado nas terras de seu povo. As caricaturas cruzadas, porém, não demoraram para se desmanchar. Dez anos depois, Kopenawa convidou Albert para um ambicioso projeto. O xamã decidiu confiar-lhe algumas palavras em sua língua natal. Foram 100 horas de depoimento, gravados entre 1989 e 2001, que serviram de base para as mais de 700 páginas de A queda do céu — Palavras de um xamã yanomami (Companhia das Letras, tradução de Beatriz Perrone-Moisés e prefácio de Eduardo Viveiros de Castro), obra de enorme impacto na história da etnografia. Lançado em 2010 na França e só agora traduzido para o português, o livro é uma rara interlocução entre dois universos culturais, em que um índio assume a (co)autoria do discurso para introduzir os seus sistemas cosmopolíticos e intelectuais aos brancos.

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