Britânico dá ritmo de thriller a livro de época
Em 'Os Mil Outonos de Jacob de Zoet', David Mitchell mostra ocupação de estrangeiros no Japão dos séculos 18 e 19
Como uma ótima partida de futebol que ganhasse, nos derradeiros 30 minutos, uma qualidade sublime, ou uma corrida de 10 mil metros com um sprint magnífico nas últimas voltas, assim é o ritmo de Os mil outonos de Jacob de Zoet (Companhia das Letras, 568 pp., R$ 64,90), de David Mitchell, traduzido com força e fluência por Daniel Galera. O tempo é a virada do século 18 para o 19, e o cenário é o oriente extremo, a ilha de Java, onde a célebre companhia de comércio holandesa mantém um entreposto, a ilha artificial de Dejima, na baía de Nagasaki (Japão). Nele houve (e há) corrupção, e para sanear a situação entra em cena uma nova direção, cujo contador é o Jacob do título. Sujeito simples, cumpridor, de fé protestante estrita, ele chega com a ilusão de fazer fortuna e retornar ao país, para casar.
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