A vida dos biógrafos
Decisão recente do STF pode até tirar biografias da gaveta, mas profissionais continuam a enfrentar um velho problema: financiamento
O tempo que se leva para fazer uma biografia como Eu sou trezentos (Edições de Janeiro), a primeira dedicada a Mário de Andrade, pode ser medido por dois calendários simultâneos: três anos ou três décadas. Seu autor, Eduardo Jardim, interessava-se pelo modernista desde estudante. A biografia só foi possível nos últimos três anos porque, primeiro, mudou seus planos de aposentadoria para poder escrever. Encontrou, então, uma editora, as Edições de Janeiro, para encorajá-lo a publicar. Obteve, por fim, bolsa de um ano da Fundação Biblioteca Nacional quando mais precisava concentrar-se no livro. O recente lançamento coincidiu com a série de homenagens que o modernista recebe nos 70 anos de sua morte. O fim da censura prévia às biografias por decisão do STF não necessariamente desengavetará projetos. Não era por temer esse impedimento que, afinal, Jardim adiava a sua. O financiamento de pesquisa e escrita continua a ser ponto crucial para realizar biografias, e o mercado editorial brasileiro ainda não banca tanto, sobretudo em épocas como a atual, de crise.
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