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Palavras cruzadas

12 de julho de 2015
1 min de leitura

Publicado no Brasil pela primeira vez há 90 anos, passatempo preserva detalhes da época em que era feito à mão e com muito cérebro

Peremptoriamente. Sucumbir. Quixadá. Estripulia. Gângster. Com uma caneta esferográfica vermelha, Luciano Mussolin lista as palavras que lhe vêm à cabeça. Os verbetes serão usados na criação dos enigmas que ele, autor de palavras cruzadas há 40 anos, elaborará no dia. Mussolin toca com o irmão, Adriano, a revista A Recreativa, a mais longeva do gênero em circulação no país. Digitalizada desde 2003, a criação de uma cruzadinha segue os princípios do tempo em que era feita à mão. Ou seja: começa-se digitando uma palavra e a partir dela um computador gera um diagrama e propões combinações. Se agora o jogo é feito em minutos –há meio século, podia levar uma semana–, o fechamento ainda é artesanal: a máquina adora propor siglas misteriosas ou verbetes que caíram em desuso. Então o próprio cruzadista garimpa soluções. O que também não muda são os leitores: 85% dos 10 mil assinantes da revista têm mais de 60 anos e 64% deles são aposentados. Em bancas, a empresa vende mais 40 mil exemplares mensais, com tiragem de 150 mil. Já a marca Coquetel, da Ediouro, contabiliza 20 mil assinantes e tiragem de 1 milhão de exemplares.

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