O flerte de Clarice
Cartas inéditas de Clarice Lispector foram encontradas durante digitalização do acervo de Hilda Hilst
Da digitalização do acervo de Hilda Hilst (1930-2004) na Casa do Sol, em Campinas, onde ela viveu, começam a sair preciosidades, indica a coluna Painel das Letras. Nos últimos dias, o trabalho feito com apoio do Itaú Cultural localizou dez cartas inéditas de Clarice Lispector (1920-1977) para Mora Fuentes (1951-2009), escritor e artista espanhol que, após breve caso com Hilda, virou amigo e passou a viver com ela. Enviadas entre 1974 e 1975, as cartas de Clarice deixam perceber um pequeno flerte, com ameaças de um encontro que parece nunca acontecer. “Você é casado? Que idade tem? Eu tenho setecentos anos e às vezes nem sequer ainda nasci”, escreve ela, em 26 de maio de 1974. Dois meses depois, a escritora alerta: “Não me curta muito, faz mal”. Numa das últimas cartas, pede a ele que lhe envie uma mandala “para encher de amor um coração vazio”.
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