Maldição persegue os cubanos, afirma Leonardo Padura
É como se não pudéssemos estar em lugar algum, diz escritor
O cubano Leonardo Padura enxerga fantasmas nas ruas de Havana. Cuba perdeu pessoas queridas e lugares emblemáticos, diz o escritor, e lhe deixou com a sensação de que uma maldição persegue seus conterrâneos. “É como se não pudéssemos estar em lugar algum. É dolorido”, afirma Padura, 60, autor de O homem que amava os cachorros (Boitempo, 592 pp., R$ 49). Os comentários do escritor sobre Cuba são assim, sutis, falando da situação política por alto. Críticos de sua obra dizem que ele se omite em relação ao regime castrista. Os admiradores, porém, veem em sua postura certa sabedoria, de quem sabe dosar exatamente as análises possíveis num regime que censura opiniões. “Acho que, dos intelectuais cubanos, possivelmente sou o que mais fala. Tudo o que se pode dizer eu já disse”, defende-se. Padura se apresentou neste domingo (5) na Festa Literária Internacional de Paraty.
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