O legado epistolar de Mário de Andrade
Mais de 7 mil cartas do modernista ganham ensaios e novas edições
Em dezembro de 1939, na crônica Amadeu Amaral, Mário de Andrade afirmou que a literatura brasileira só começou a escrever cartas com os modernistas. “Só mesmo com o modernismo (as cartas) se tornaram uma forma espiritual de vida em nossa literatura”. Era a sua defesa do gênero que abraçou com vigor assombroso: estima-se que tenha escrito mais de 7 mil missivas ao longo da vida. Parte delas já somam 40 volumes, número que não para de crescer com reedições, novas publicações e a descoberta de material inédito. A carta “secreta” para Manuel Bandeira, recém-revelada, em que ele cita ao amigo sua “tão falada homossexualidade”, é apenas um aperitivo. Durante a Flip deste ano, que homenageou o escritor, chegou às livrarias a nova edição de A lição do amigo — Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade (Companhia das Letras), publicada originalmente em 1982. Na revista “serrote #20”, do Instituto Moreira Salles (IMS), um ensaio inédito de Elvia Bezerra analisa a correspondência entre Mário de Andrade e o escritor paulista Ribeiro Couto, seu contemporâneo pouco lembrado hoje.
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