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Autor cria jogo de espelhos com Camus

02 de maio de 2015
1 min de leitura

Kamel Daoud dá nome e biografia a irmão de árabe assassinado em O estrangeiro

Reescrever O estrangeiro, de Albert Camus (1913-1960), do ponto de vista dos árabes que não têm voz nem nome nos livros do escritor francês, nascido na Argélia e prêmio Nobel de literatura em 1957: foi esse o projeto de Kamel Daoud em Meursault, Contre-enquête (Meursault, Contra-investigação) (Actes Sud, 160 pp., R$ 64 na Amazon.com), cujo título remete ao personagem do romance camusiano. Publicado em 2013 na Argélia, pela editora Barzakh, e em 2014 na França, pela Actes Sud (sem previsão para o Brasil), o romance foi finalista do Goncourt, o principal prêmio literário francês. Mas também rendeu ao escritor uma “fatwa”, decreto emitido por autoridade religiosa muçulmana – um imã argelino, no caso, que, como o ocorrido com o indiano Salman Rushdie, pede sua morte por “apostasia e heresia”.

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