O velho e o sexo
A poesia é a origem e o fim no novo livro de Nuno Ramos
A cada nova entrega literária, Nuno Ramos confunde mais a audiência. Não é diferente com o recém lançado Sermões (Iluminuras, 208 pp., R$ 48). Ao contrário daquilo que seu título indica, independe da tradição retórica longamente vinculada à exegese religiosa e ao padre Vieira. Ao final desse livro libidinoso há padres, porém a exposição oral a que se propõem é de outra ordem, não aprovada pela Santa Sé. A promiscuidade temática tem início pela forma, ou pela matéria informe ao qual o autor habituou seus leitores: em contraste com a lucidez do pensamento, o texto se retorce qual serpente num labirinto que emboca em novas saídas. Linha a linha, esguicho a esguicho, o protagonista goza pelo falo e pela boca, reafirmando simultaneamente “cogito ergo sum” e ejaculo logo existo.
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