Livro mostra Serra Leoa após guerra civil
Em primeira obra de ficção, ex-menino soldado descreve reconstrução da vida no país
“Quando as pessoas vão para a guerra, se tem a ideia de que elas não aprendem nada, que só há trauma,” diz o escritor Ishmael Beah, 34. “Mas sobreviver a uma guerra, principalmente sendo jovem, pode ensinar muitas coisas.” Em janeiro de 2002, chegou ao fim a guerra civil que assolava Serra Leoa, pequeno país na África Ocidental, desde 1991, resultando na morte de mais de 70 mil pessoas e no deslocamento forçado de mais de 2,6 milhões, segundo relatório das Nações Unidas. Com o fim do conflito, os refugiados retornam às suas aldeias, ou ao que restou delas após os embates, para recomeçarem suas vidas. É nesse cenário de reconstrução nacional que se passa o romance O brilho do amanhã (Companhia das Letras; 280 pp; R$ 39,90 – Trad. George Schlesinger), do serra-leonês Beah, lançado em fevereiro no Brasil pela Companhia das Letras. É a primeira incursão do autor pela ficção –seu outro livro, o best-seller “Muito Longe de Casa”, de 2007, também lançado no Brasil neste ano, conta suas memórias sobre o tempo que serviu como menino soldado, no exército de Serra Leoa, aos 13 anos.
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