Livro do ex-chanceler permite que fatos vençam a versão
Em ‘Teerã, Ramalá e Doha, Celso Amorim presta contas sobre as suas atividades como ministro das Relações Exteriores
Se a leitura de Teerã, Ramalá e Doha – Memórias da política externa ativa e altiva (Benvirá, 536 pp, R$ 64,90) se der sem pré-conceitos, permitirá que se corrija uma distorção em relação ao Acordo de Teerã, o mais ruidoso momento da diplomacia brasileira no período Lula/Celso Amorim (2003/2010). Qual a distorção? Prevaleceu na narrativa da mídia ocidental, a visão de que o acordo de 2010 entre o Brasil, o Irã e a Turquia foi uma ação amadorística, ingênua e com vistas a atrapalhar os EUA. No livro, Celso Amorim presta detalhadas contas de todas as suas iniciativas relacionadas ao tema e, com isso, demonstra que foi um trabalho profissional. O livro permite ainda verificar, sem grande esforço, que a diplomacia brasileira perdeu vigor e dinamismo com a saída de Lula e de Amorim. Em parte se explica pelo fato de que Lula, segundo Amorim, compreendia que o chanceler deveria ter agenda própria, à margem da desenvolvida pelo chefe do governo. O livro é uma ampla prestação de contas sobre suas atividades, pelo menos em relação aos temas nele tratados.
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