Quase Cony
No interior do Rio, Ruy Guerra cria filme baseado em Quase Memória, romance autobiográfico de Carlos Heitor Cony
São 23h e o turno de trabalho de Ruy Guerra, 83, está só começando. As filmagens de Quase memória, adaptação do livro homônimo de 1995 do escritor, jornalista Carlos Heitor Cony, 88, vão varar a madrugada, o que muito agrada o cineasta, notívago. Parte de Quase memória, cuja estreia está prevista para o primeiro semestre de 2016, foi filmada num casarão vazio numa cidadezinha no interior do Rio. Guerra diz que o filme foi difícil de financiar, o que o obrigou a fazer mudanças profundas no roteiro. Custará R$ 3,7 milhões, com patrocínio de empresas. O diretor diz ter virado a obra de Carlos Heitor Cony do avesso. No livro, um romance autobiográfico, Cony, já maduro, recebe um pacote que ele tem certeza ser do seu pai, Ernesto, morto dez anos antes. Sem abri-lo, encara o pacote o resto do dia e relembra episódios da vida com o pai, figura adorável e patética. Já no filme, Cony vira dois: Carlos Velho, com mais de 70 anos (Tony Ramos), e Carlos Jovem, lá pelos 40 (Charles Fricks), que se encontram no que Guerra chama de “bolha do tempo”. É o ponto de partida para uma reflexão sobre o processo da memória.
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