Chegou tarde a carta de Sartre que poderia ter mudado o Nobel
Meio século depois, a Academia Sueca abriu os arquivos relativos ao Nobel da Literatura de 1964 – aquele que Jean-Paul Sartre venceu e recusou.
Era a oitava vez que o nome de Jean-Paul Sartre estava na mesa. Então, em 17 de setembro de 1964, o Comité decidiu, por fim, que o autor de A náusea e à porta fechada – Huis Clos, no original – seria o vencedor. Assim, chegou tarde a carta que Sartre enviou em meados de outubro a pedir que não o nomeassem e a avisar que recusaria o prémio caso tal acontecesse, revelam os arquivos agora desembargados pela Academia Sueca, confirmando a narrativa desde sempre associada ao Nobel do “intelectual total”. Sartre mostrou-se irredutível. E no dia do anúncio da sua vitória fez uma declaração à imprensa sueca. Nessa declaração, Sartre explicava como a 15 de Outubro soubera pelo Figaro Littéraire que a Academia teria o seu nome sob consideração e, por isso, decidira contatar Estocolmo, achando que a decisão não estava ainda tomada. “Como expliquei na minha carta à Academia, os meus motivos não se prendem nem com a Academia nem com o Nobel em si próprio”, disse Sartre.
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