Romance de estreia de autor sueco discute o pertencer
Stephan Mendel-Enk aborda a tradição que se esfarela mas pesa sobre os jovens
Existe uma progressão quase natural dentro da imigração no século 20, segundo Eric Hobsbawn propõe em Tempos fraturados. A primeira geração busca sobreviver no novo país agarrada às raízes. A segunda é a da coexistência de duas culturas, ainda dentro das malhas da congregação, mas já ensaiando ou colocando em prática uma ruptura. A terceira é quase totalmente adaptada, geralmente a contragosto das anteriores (ou parte delas). Quando pensamos em imigração judaica, essa fricção é elevada a uma potência maior: o iídiche raramente vaza de gerações, a comunidade poucas vezes é grande o suficiente para absorver todas as expectativas – colégios, casamentos, negócios – e o peso da tradição conflita com o mundo real berrando na cabeça dos jovens. É isso que Stephan Mendel-Enk explora em Três Macacos (Record, 160 pp., R$ 28 – Trad.: Dina Lund), romance de estreia do escritor sueco.
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