A ideia é força motora da ação narrativa em O explicador
Leonardo Villa-Forte parte da tradição filosófica em que a trama sai de um conceito
“Tudo é conteúdo; não há fogo de artifício.” Assim o escritor angolano-português Gonçalo M. Tavares apresenta, na contracapa, O explicador (Oito e Meio, 88 pp., R$ 32), livro de estreia do carioca Leonardo Villa-Forte, composto por contos e poemas. Fazer equivaler a forma literária ao fogo de artifício, a “belezas laterais e inúteis”, é o procedimento de Tavares para elogiar um elemento de destaque nesta coletânea inicial de Villa-Forte: o fato de os textos, ora em verso, ora em prosa, terem na ideia sua matéria prima. Muitas das 14 peças curtas que compõem o livro podem, de fato, filiar-se à tradição do conto filosófico – como o praticava Voltaire no século 18 – na qual, a ação, quando há, aparece a reboque de uma ideia ou conceito. Não se trata portanto do conto moderno, concebido por autores como Poe ou Chekhov, em que a ação tem lugar central.
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