Editor obcecado por Pessoa cria livraria de apenas um livro
Norueguês leu ‘Livro do desassossego’ pela primeira vez em 1997. De lá para cá, nunca mais parou de ler o mesmo livro.
Numa manhã de março passado, o tradutor norueguês Christian Kjelstrup, 40, editor de uma das maiores editoras da Noruega, a H. Aschehoug & Co, caminhava ao léu pelas ruas de Oslo quando teve uma ideia: a Livraria do Desassossego. A livraria imaginada por Kjelstrup seria itinerante e venderia apenas o Livro do desassossego, obra de Fernando Pessoa que mais se aproxima do romance, apesar de não apresentar uma narrativa linear. Composta de fragmentos, é assinada pelo heterônimo Bernardo Soares. A Livraria do Desassossego foi um sucesso. No primeiro dia, vendeu 50 exemplares. No segundo, 240. No terceiro, 500. No final de uma semana, de 26 de março a 1º de abril, havia vendido 1.600 livros na língua local. De março até agora, Kjelstrup rodou toda a Escandinávia, passando por lugares remotos, como a ilha de Svalbard, ao norte da Noruega, onde nem mesmo existe livraria. Em 2015, pretende visitar a América do Sul, incluindo o Brasil no roteiro. Kjelstrup leu o Livro do desassossego pela primeira vez em 1997, quando a obra foi traduzida para o norueguês. De lá para cá, nunca parou de ler o mesmo livro. Repetidamente.
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