Eça agora!
Fatos atuais sobre um escritor eterno
Existem dois tipos de escritores neste mundo. Os primeiros são como as chuvas – vêm e vão, ao sabor do tempo. Os segundos nunca nos deixam. Resistem a tudo – à estupidez dos literatos, à inveja dos pares, à passagem dos anos. Eça de Queiroz (1845-1900) pertence ao segundo grupo: no século 19, só Camilo Castelo Branco (1825-90) rivaliza com ele. Mas a influência de Eça é incomparavelmente mais profunda: ele forjou uma linguagem nova para as gerações vindouras e praticamente fixou na memória dos portugueses o século 19 como referência perpétua para os séculos 20 e 21. Ler ou reler Eça de Queiroz é exclamar – página sim, página não – que as coisas não mudaram e que Portugal, com a sua corja de políticos corruptos e artistas relapsos, continua como em 1875.
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