Esplendor e miséria do best-seller
Ilustríssima publica texto de 1948 escrito pelo escritor e tradutor Paulo Rónai (1907-92)
O que é um best-seller? À primeira vista a resposta não parece difícil: o livro que mais se vende. Mas, ao examinarmos os casos em que se emprega essa palavra, verificaremos que seu sentido se está enriquecendo de novas matizes. Mais de uma vez poderemos achar-lhe uma nuança pejorativa. A ambição “yankee” de atingir recordes em todos os domínios envolve contínuas comparações, e estas só parecem ter valor quando baseadas em objetos exprimíveis por algarismos. Ninguém pode afirmar com segurança se Betty MacDonald é melhor escritor do que Samuel Shellabarger: em questões de gosto não há verdades absolutas. Mas é possível saber com exatidão qual dos dois livros se vendeu mais. Na avalanche das publicações o leitor comum é cada vez menos capaz de orientar-se. Sabendo que seu gosto se parece com o da maioria de seus contemporâneos, tende facilmente a pensar que o livro mais comprado será também o melhor. [Este texto de 1948 estava em uma pasta do acervo de Paulo Rónai (1907-92), intitulada Material para novos livros, e jamais foi publicado. O escritor e tradutor parte de estudos em língua inglesa para questionar se há a receita perfeita para um best-seller e se os números de vendas significam algo na qualidade dos livros. Para lê-lo na íntegra, clique aqui.
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