Relações delicadas
Guiomar de Grammont é jurada de prêmio no qual concorrem dois livros editados por ela enquanto trabalhava na Record
O júri final do Prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais importantes do país, inclui uma integrante, a escritora Guiomar de Grammont, que editou dois dos 20 livros concorrentes, Nossos ossos, de Marcelino Freire, e O Evangelho segundo Hitler, de Marcos Peres, enquanto era editora-executiva da Record, em 2013. Questionada pela coluna Painel das Letras, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, responsável pela premiação, disse não haver conflito ético. “Quando Guiomar foi convidada a compor o júri da 7ª edição do prêmio, já não atuava como editora no mercado, tendo sido escolhida por sua contribuição à literatura brasileira como escritora e professora universitária”, informou, em nota. Guiomar de Grammont diz que, justamente por ter editado os livros, os avalia com mais rigor para evitar suspeitas —e que as escolhas serão feitas após consenso dos cinco jurados. “O fato de tê-los editado só me dá uma responsabilidade ainda maior no cuidado com a isenção.” O editor-executivo da Record Carlos Andreazza, que agregou as antigas atribuições de Guiomar, disse considerar a escolha “inadequada”. “Não tenho dúvida sobre a correção da Guiomar, mas, seja qual for o resultado, haverá margem dobrada e justificada para desconfiança. Parece-me que tanto o convite quanto a aceitação não tiveram a devida reflexão.”
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