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Falta de banho serve de metáfora para criticar convicções

04 de outubro de 2014
2 min de leitura

Livro de Bernardo Ajzenberg expõe o modo como convicções, quando se tornam obsessões, podem conduzir a situações absurdas

Célio Waisman, protagonista de Minha vida sem banho (Rocco, 192 pp, R$ 24,50), novo romance de Bernardo Ajzenberg, trabalha num instituto ambientalista e, de um dia para o outro, decide parar de tomar banho. Célio até encontra justificativa “ecologicamente correta” para a decisão, mas seu impulso é de outra ordem. Esse ponto de partida da obra tem algo de satírico, expõe o modo como convicções plausíveis, quando se tornam obsessões, podem conduzir a situações absurdas. O livro de Ajzenberg não fica restrito a esse fio narrativo bizarro. Paralelamente ao relato de Célio, entram em cena mensagens que ele recebe da namorada e trechos do diário de um amigo de seus pais, Marcos Wiesen, relatando a militância política dos três durante a ditadura. O relato de Wiesen se sobrepõe aos registros de Célio e o que era cômico revela seu lado dramático: reuniões em células subversivas, onde discussões sobre a luta armada e a hierarquia dos ativistas eram um biombo para disputas pessoais e traições conjugais.

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