Um pedaço bruto de vida
A narrativa de Dalton Trevisan
Arredio a todo contato direto com o público, recusando-se a participar de eventos, a dar entrevistas, a expor-se heroicamente como uma personalidade singular, o curitibano Dalton Trevisan forja insistentemente os limites que separam sua vida de sua obra. Esse isolamento deliberado do escritor, entretanto, funciona como um bumerangue. Se, por um lado, seu desejo expresso é o de ser deixado à margem, como que anunciando que o que de fato importa são seus livros, por outro, os leitores não suportam o vazio da imagem pública do autor e acabam por preenchê-lo com uma representação que eles forjam. Desde que começou a escrever, nas décadas de 1940-1950, Trevisan demonstrou possuir os atributos que fazem um grande escritor: originalidade, capacidade de resumir sua época, de opor-se a ela.
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