O escritor devorado
A catástrofe do sumiço do autor
Com as mortes recentes de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) e Ariano Suassuna (1927-2014), a prateleira de cima da ficção contemporânea brasileira povoou-se de grandes escritores invisíveis, naquilo que se pode diagnosticar como índice epidêmico elevado da “Síndrome de Rimbaud”, ainda mais agudo considerando-se que o meio literário nacional atrai de modo incomum os holofotes de festivais e feiras por todo o país e fora dele nos dias de hoje. Trata-se de cenário controverso, no qual a nova geração de autores protagoniza performances públicas e ativa a vida literária imediatista por meio de redes sociais, enquanto medalhões de importância inquestionável se ocultam silenciosamente nas sombras. É conhecida a trajetória de Arthur Rimbaud (1854-91), que morreu alguns dias após completar 37 anos, em Marselha, e cabe certinho naquilo que Paul Valéry caracterizou como “o rigor das recusas”, o instante em que a literatura atinge o domínio da ética.
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