Cartas ao vento
José Castello analisa novo livro de Luisa Geisler
A presença, ou a ausência, do leitor é um dos enigmas que mais inquietam os escritores. Escrever sem garantias a respeito de seu destino. Nada se sabe a respeito do leitor, essa sombra que habita o lado externo das ficções. Estará ele onde o escritor espera? E, se estiver mesmo lá, quem será exatamente? Essa experiência aflitiva não é vivida, apenas, pelos escritores. Ela intriga qualquer um que escreve. Será a pessoa a quem dirijo uma carta, ou um email, aquela que suponho? Como minhas palavras serão recebidas? E se elas se perderem ao vento, se ficarem sem resposta? Dessas interrogações enervantes a jovem Luisa Geisler arrancou um romance: Luzes de emergência se acenderão automaticamente (Alfaguara). Uma narrativa simples e descomplicada que, com desafetação, se aproxima de uma das mais graves perguntas da literatura.
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