Vulgaridades do contemporâneo
Entre ironia e denúncia, André Sant’Anna faz surpreendente mergulho nas vilanias da classe média
À medida que um autor produz mais e acumula reputação, como é o caso de André Sant’Anna, a recepção já se prepara ao saber de livro novo. Queremos que o autor nos dê aquilo que conduziu à admiração, faça mais uma vez seu abracadabra particular e encante. Mas esperamos também que surpreenda, produzindo algo que seja também novidade, invenção, estranheza. O Brasil é bom(Companhia das Letras, 192 pp, R$ 39) oferece precisamente isso. Aquilo que se espera de Sant’Anna está aqui: sua sonda telepática investiga os fluxos de consciência de criaturas abomináveis, como se ele fosse um Henry James dos últimos dias, dedicado ao vulgar, ao ordinário, tão mais temeroso porque próximo, familiar, conhecido. São textos que mexem com os diálogos que Sant’Anna quer forjar com seus precursores, e inventam um jeito de falar de anos 60, desbunde, ditadura, abertura, arte e política para contar não uma, mas um turbilhão de histórias, investindo numa outra chave para a autoridade da primeira pessoa.
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