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Rafael Sperling ilustra muito bem a distopia nossa de cada dia

19 de setembro de 2014
1 min de leitura

Contos do autor carioca primam pela imaginação e pelo nonsense

Ao contrário do que em geral acontece, há uma verdade na orelha do livro de contos Um homem burro morreu (Oito e Meio, 104 pp, R$ 35): “O escritor Rafael Sperling é sem noção”. A falta de noção não é um problema, mas o combustível que alimenta os 27 contos (mais um epílogo) deste que é o segundo livro do autor carioca de 29 anos. As histórias primam pelo absurdo, pela escatologia, pelo nonsense e por uma capacidade imaginativa impressionante. O conto de abertura, por exemplo, é um pastiche do pseudojornalismo especializado em perseguir celebridades e “noticiar” seus mínimos movimentos. Ancorado no deserto sombrio que nasce e cresce entre as pessoas, o humor escandaloso de Um Homem Burro Morreu não é, em si mesmo, gratuito, mas refere-se à gratuidade que frequentemente resume as relações humanas. Com isso, Rafael Sperling ilustra muito bem a distopia nossa de cada dia. 

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